24 de mai de 2009

A VISITA










Chegava o tão sonhado dia de visitas.
Emoção, choro, alegrias em tamanho para algumas e tristezas para outras, pois nem todas iriam receber alguém.
Era comum algumas meninas ficarem juntas de outras famílias, as mães costumavam levar parentes, avós, tios, atuais namorados ou até mesmo os patrões, pois na maioria das vezes aos domingos sendo eles sempre o último de cada mês quando acontecia as visitas era de muita doação. Recebia-se alimentos, tecidos para novos uniformes, brinquedos, dinheiro claro na mão de Dna. Nildete, tudo que era de útil era bem vindo para aquele lugar.
Embora o local fosse coordenado por uma instituição espírita mas havia muita organização e frequentado por pessoas do bem.
Ela chegou e parou em frente ao salão de refeições, o barulho de música, falatório, as meninas correndo e mostando o que tinham ganhado de presente, mas o que Ela queria não tinha acontecido ainda. Segurando o livro e impaciente pois a irmã não ficava quieta, de repente alguém lhe segura pelos cabelos, era ela, era a mulher da sua vida era a MÃE.
Até hoje Ela ainda sente esses abraços, emocionada ela me narra esse momento.
O cheiro do perfume da mãe, as lágrimas da mãe, abraçando ajoelhada ali mesmo, abraçando as duas filhas e que maravilha ela trouxe a caçulinha e as quatro ali mesmo no chão o choro cobriu a saudade.
Esse momento que ainda seria vivido por alguns anos.
No orfanato haviam lugares com mesas e cadeiras, próximo também vários lavatórios, então via-se sempre alguém lavando frutas, pois era o que mais as visitas levavam, Ela por sua vez, ganhava pêras, delicia, comia todas, as irmãs gostavam de bolachas recheadas, então a variedade era muita, pois a mãe ia guardando durante o mês todo para quando chegar o dia da visita ter o que dar para as filhas, pois a vida que levava era difícil. Tudo que ganhava até mesmo uma bala, guardava-se.
Foi numa dessas visitas maravilhosas e banhadas de muito amor materno que a mãe disse-lhe.
*Você ficara sozinha aqui, sua irmã ira para outro colégio, vou levá-la hoje.
Para distrai a mãe trouxe um rádio, radinho de pilha, naquela época tinha-se apenas a frequência AM, por saber também que a filha havia melhorado o humor após o presente de um livro a patroa da mae enviou-lhe um livro de presente.
O desespero de saber que não iria sair dali, e agora ficando sozinha, foi tomada de grande raiva, calou-se então.
Aceitava tudo, não pedia mais para a mãe levá-la, sua cia agora era o rádio e os livros.
Seus dias eram sempre os mesmo, foi trocada de cama, pois agora não tinha mais a necessidade de uma cama tão grande, durmia sozinha, chorava sozinha e sofria também sozinha, agora com nove anos.

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Feliz por sua visita! espero que tenha gostado e claro seja sempre bem vindo.
Fraterno abraço, desejando felicidades.