15 de mai de 2009

INDO AO PASSADO.

Quando tinha sete anos, estava dentro de um ônibus que fazia um barulhão, pensava que estivesse indo pra algum passeio e olhando pela janela podia ver pessoas andando, bares, uma lanchonete com pessoas comendo aquilo que na cabeça dela jamais a mãe poderia lhe oferecer, apenas dizer :
*Não fica olhando pra você não ficar com vontade e sabe que não posso lhe dar.
Isso para Ela já era normal, não era a primeira vez que tinha que desviar o olhar de alguma coisa para que a noite não tivesse que ficar sonhando que estava vivendo tal situação.
Lembro-me que tinha uma vizinha, e essa uma boneca com a cabeça de porcelana que ficava sentada numa cadeira comprada especialmente para coloca-la, que vontade de segurar, nossa que vontade de ninar essa bonequinha, dói por dentro de saudade.
O ônibus chegou ao seu destino, desceram Ela a irmã de quatro anos, menina de bochecha rosada, cabelos chanel, calada, seguravam as mãos uma da outra, por um momento a mãe coloca uma de cada lado e segurando uma bolsa com algumas peças de roupa conduzia-as pela Av Rodovia Castelo Branco, em São Bernardo do Campo, andaram pelo menos meia hora a pé, pois o dinheiro que tinham dava apenas para a condução de volta para casa, que casa, moravam de favor na casa do Tio Chico.
Changando ao destino as meninas olhavam e viam um prédio com várias crianças, todas meninas, todas vestidas iguais, com vestidos até os joelhos, com chinelos diferêntes uma das outras, os cabelos todos curtos pareciam na verdade meninos vestidos de meninas.
Ela pergunta pra mãe:
* Que lugar é esse mãe?
A mãe chama-se Neusa e responde:
* Será o lugar aonde vocês irão ter onde dormir e comer por algum tempo e você terá que cuidar de sua irmã.
Ela sem entender, pensou nossa uma escola, vou pintar com canetinha. Ela tinha vontade de ter umas canetinhas coloridas na época muito conhecida como Sylvapen que via os primos usarem na escola, mas que na verdade ela pegava escondido para fazer florzinhas no caderno, pois tinha apenas lápis e cuidar para que a ponta não quebrasse, pois pedir apontador emprestado era proibido pela mãe que sempre orientou:
*Temos que usar o que é nosso e cuidar sempre, pois o que é dos outros não serve para ser emprestado.
  • CHEGANDO NA NOVA MORADA
Ela entrou pelo portão da nova casa, era um colégio interno chamado Lar das Meninas Maria Amélia. Um colégio que na verdade a mãe tinha que deixa-las ali, para poder trabalhar, viver na casa do Tio Chico com duas crianças já estava tornando-se sofrido demais.
Ver as filhas deitadas dormindo sem ter algo de seu, deixava Dna. Neusa com muitas noites em claro, se fazia necessário tomar alguma atitude, mas como trabalhar e cuidar delas, então a solução era o Orfanato.
Dor de ver as filhas no portão oferendo-lhe as lagrimas de desespero fez comque Dna. Neusa, desse um abraço acompanhado de um molhado beijo em cada uma das meninas, Ela nunca apagou isso da memória, segurando a mão da irmã Ela chorava, chorava e não entendia o porque da mãe deixa-la ali, por que? por que levou muito tempo para que Ela pudesse entender, aceitar jamais.

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