31 de mai de 2009

EMOÇÕES II


A CARTA


Ela cuidava sempre da sala de leitura após chegar da escola, com a amiga Tomazia ficava fácil pois fazendo as tarefas juntas terminavam mais rapido. As pequeninas gostavam de ficar rabiscando nas folhas de papel, colorindo desenhos, faziam árvores, casinhas que diziam um dia ter.
As meninas maiores ajudavam nos afazeres mais pesados, como arrumação da sala de tv, lavagem das roupas, faxina geral, uma pequena horta, enfim era uma casa, mas uma casa enorme com meninas que um dia iriam ter as suas próprias casas, suas familias e com muita sorte algumas iriam continuar os estudos e serem doutoras, doutoras a ajudar aos outros, pois passar uma infância sem ter o carinho de uma familia a sua familia de mãe, pai e irmãos, isso nem todas ali no decorrer dos anos iriam se realizar.
As meninas maiores após realizarem as tarefas cada uma designada diariamente tinham também aulas paralelas a da escola normal. Aprendiam idiomas, na época datilografar, bordado e crochê essa Dna. Nildete ensinava pessoalmente.
Ela devida a idade participava das aulas de bordados, era bem legal e a primeira palavra que aprendeu a bordar foi o seu nome, depois das irmãs e claro da mulher da sua vida, a MÃE.
Um dia pediu para Tomazia para fazer uma carta, mas tinha que ser na máquina, Ela queria uma carta para a mãe, pois chegava próximo o dia das mães e Ela queria colocar dentro do presentinho que fizera, tinha bordado uma toalhinha de mão com o nome da mãe. Toalhinha essa hoje Ela tem guardado junto as coisas pessoais que mais ama na vida. Passou anos para que essa peça voltasse para suas mãos, a mãe guardara todo esse tempo e no dia de seu aniversário de 40 anos a mãe lhe presenteou.
Tomazia então fez melhor, ensinou a Ela como escrever, como tinha que ser a letras maiusculas, minusculas, ascentos...
Ela, todos os dias treinava, treinava, até que conseguiu escrever, amiga Tomazia ia corregindo e nos intervalos que haviam durante o dia Ela bordava o nome da mãe na toalhinha. Era uma peça branca pequena de algodão.
Na carta escreveu:
* MÃE, SONHO COM A SENHORA. QUERO IR EMBORA DAQUI, PARA TRABALHAR E TE AJUDAR. MÃE ESTOU COM SAUDADE DA NENÊM, PROMETO NÃO BATER NELA. MÃE DEIXA EU TE BEIJAR, ABRAÇAR. MÃE PROMETO FICAR QUIETA, DE NOITE EU TENHO FRIO. MÃE A TIA NILDETE VAI CORTAR MEU CABELO, NÃO DEIXA VOU FICAR PARECENDO MENINO. MÃE GUARDA MEU PRESENTE PRA A SENHORA NÃO ME ESQUECER . TE AMO MÃE.* (Ela assina)
Essa cartinha hoje em papel muito amarelo marcado pela dobradura e pelo tempo não possível scanear.
Ao chegar o dia de visita das mães as meninas estavam todas em fila no salão de refeições, pois seria servido o ALMOÇO DO DIA DAS MÃES, os cabelos Dela estavam enormes ja se passaram quase três anos e era um pedido da mãe para com a administradora para não corta-lo, mas infelizmente isso não seria mais possivel.

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