17 de mai de 2009

DESCOBRINDO A SER CRIANÇA.

LAR DAS MENINAS MARIA AMÉLIA


NOVA VIDA


Estando confusa e deixando as lágrimas cairem não soltou em nenhum instante a mão da irmã que por sua vez também chorava, elas não entendiam o porque da mãe deixa-las e pedir para ter paciência que logo ela voltaria para buscá-las.

Ela por um instante chegou a ver a mãe voltando, que ilusão, era uma pessoa semelhante e ao aproximar-se do portão aonde paradas estavam foi então que o desespero voltou.
*Mãe volta, vem me buscar não quero ficar aqui, volta mãe!

E não vendo mais nada ao longe da avenida infinita, vendo apenas carros, onibus e pessoas que passavam e olhavam aquelas duas crianças chorando chamando pela mãe, ainda teve uma senhora que se penalizou com a visão que tinha, deu um doce para cada uma e seguiu, com lágrimas também no rosto, pois essa senhora um dia mais tarde voltaria.
Essa senhora era a emprega da casa do Sr. Jorge, a Dna. Ligia era governanta e várias vezes por semana participava das sessões espíritas que havia no Orfanato aonde agora era e seria o lar das irmãs.
*Meninas, venham pra cá, ja esta dando a hora do lanche e ainda tenho que ver umas roupas pra vocês.
Era Dna. Nildete, digamos hoje que seria a governanta e responsável pelo orfanato.
Sem soltar por um instante a mão da irmã seguiram a diante passando por um corredor e no fim deste a direita um lindo e imenso terreno com várias árvores, plantas de várias espécies, tinha um galpão coberto com mesinhas pequenininhas e umas cadeirinhas pintadas de várias cores, tinha também mesas de tamanho normal com cadeiras pintadas com tinta de várias cores.
A irmã vendo este cenário começou a perguntar:
*Pode brincar aqui?
Com atenção e carinho com que Dna. Nildete as conduzia respondeu:
* De agora em diante esta será a casa de vocês, aqui somos todos irmãos e todos podem tudo desde que não chorem.
Chorar naquele lugar era proibido como também brigar e pegar o que não lhe pertencia. Coitadas sempre foram criadas ouvindo a mãe falar a mesma coisa, mas o que interessava agora era a curiosidade que tinham e tentar aceitar o que lhes ia acontecer, pois Ela obeserva tudo a sua volta e de vez enquando olhava para tráz, a esperança da mãe surgir e leva-la.
Chegaram nos fundos do terreno, havia uma piscina, que visão maravilhosa tanta criança rindo correndo de um lado pro outro, umas segurando umas canecas plásticas, todas coloridas, as crianças estavam tomando refrigerante. O Orfanato recebia doação dos comerciantes da região e dos empresários que frequentavam o Centro Espirita que pertencia ao Orfanato.
Acompanhando o refrigerante tinha pão com queijo, a irmã caçula falou:
*Lanchar antes do almoço?
Devido a hora que sairam da casa do tio Chico não tinham almoçado, apenas um pão com margarina e um copo de café preto, pois leite, era apenas para os primos e nem sobrava as vezes.
Dna. Nildete responde:
*Agora vocês irão ter hora pra tudo, o almoço foi servido ao meio dia, mas vou ver o que tem ainda na cozinha, agora vamos trocar de roupa.
Ela pensou:
*Se eu trocar de roupa quando minha mãe chegar não estarei pronta pra ela me levar embora.
A ilusão de que a mãe voltaria para busca-la continuava e isso seria por mais cinco anos de sua vida.
Num salão com várias camas Dna. Nildete, colocou a sacola de roupas, haviam vários vestidos todos iguais, finalmente separou dois e entregou para as irmãs, pediu que colocassem as roupas que estavam vestidas em um armário enorme que ia de uma parede a outra, colocassem os chinelos. Os chinelos tinha uma marca, essa marca era o nomes delas, pois devido tantas crianças se fazia necessário essa marcação.
Obeceram, instantes depois Dna. Nildete retornou com Cidinha, nossa que pessoa legal, tinha na época dezesseis anos, ela e as três irmãs também moravam ali. Foram parar no orfanato após a morte da mãe e o pai as colocou lá e nunca mais apareceu. Hoje Cidinha é Dra. Aparecida, estudou, graduou-se em Direito e é Promotora da Vara da Infância e Juventude do governo de São Paulo.
Cidinha, era uma adolescente esperta, quando Dna. Nildete pensava em dizer algo, Cidinha já estava em andamento. Levou as meninas para a cozinha. Que fogão grande viu Ela, e em uma mesa também anorme, ja estava colocados dois pratos com garfo e faca. Ela, cuidadosa com a irmã puxou uma cadeira e ajudou a irmã sentar-se, sentando-se olhava para tudo naquela cozinha enorme, nunca vira tantas coisas, armários, geladeiras, panelas, pratos de várias cores. Pratos, finalmente comer em um prato de gardo e faca, como seria usar tudo isso. Na casa do tio Chico, usava uma colher e tinha que dividir o prato com as irmãs.
Ela tinha mais uma irmã, na verdade um bebê que deveria ter um ano talvez, mas que uma vizinha cuidava, quando sairam ela beijou a irmãzinha e nem poderia imaginar que tão cedo não a viria mais, não iria colocar em seu colo, ver a vizinha dar banho e a papinha.
Cidinha colocando a comida nos pratos, aproveitou e fez um para ela também, todas sentadas, Cidinha abaixou a cabeça e começou a falar, as meninas sem saber o que acontecia também abaixaram a cabeça.
O que acontecia era que Cidinha estava orando, isso para as meninas era apenas um item do que ia começar a surgir em suas vidas. Como não sabiam comer de garfo Cidinha ajudou ensinando muito carinhosamente, orientou que antes de comer sempre rezavam, quando terminassem teriam sempre que retirar o prato e a caneca colocando sempre nos lugares indicados, deu a dica de que olhem como as outras fazem assim ninguém vai rir de vocês.
Cidinha passou ser como uma irmã mais velha para Ela.
Terminaram a refeição e arrumando tudo na cozinha, participando, isso fez com que Ela fosse aos poucos esquecendo que a mãe não viria busca-la. Saindo para o pátio seguiram para a piscina que ficava ao lado do galpão com brinquedos, várias louzas com giz colorido, papel de colorir, bolas, bonecas, quantas bonecas, nenhuma com cabeça de porcelana como Ela desejava ter um dia
mas tinha, e ter a oportunidade de brincar como uma criança que era, isso fez com que visse um sol diferente na sua vida, vida que não tinha nada mais que uma cama de solteiro, um televisão que só ouvia o som de dentro de um quarto nos fundos da casa de tio Chico, ouvir ao longe o som da televisão fazia Ela imaginar o que estaria passando naquele momento.
Quando de repente, onde estava a irmã? a irmã ja estava no meio de outras meninas brincando e olhou para Ela, sorrindo.
Ela sentou-se em um dos bancos que haviam outras meninas que logo perguntaram o seu nome e em seguida alguém lhe trouxe uma caneca de refrigerante, que gostoso, Ela saboreava tão devagarinho para não acabar, sempre via os primos bebendo, e ali onde Ela estava segura uma caneca cheia e só para ela.
O dia chegava ao fim. As meninas mais velhas orientavam as demais para recolher os brinquedos e em fila seguirem para o banho. Quando estavam em volta da piscina, esta por ser bem razinha mas de proporção em tamanho era enorme não se via mais nenhum brinquedo ou criança, simplesmente vazia, foi então que Ela se aproximou e tocando a água viu que era igual a da torneira o que mudava era que no fundo tinham azulejos coloridos e isso tornava a aparência da água diferênte.
Em seguida ja estava na fila olhava e viu lá na frente a irmã, conversando, sorrindo nem parecia a mesma. Na medida em que a fila andava Cidinha chegou e lhe entregou uma toalha orientou e saiu. Tomar banho na frente de outras meninas foi um martírio, Ela não tinha saída ou era aquilo ou levaria uma bronca na frente de todas. Banho tomado e de roupas que pra ela era esquezito veio a juntar-se a irmã e segurando pela mão seguiram para uma sala com tapete em todas sua extensão, sofás e almofadas por todo lado, varias televisões e grandes todas na mesma emissora. Comer na sala era proibido, porém Ela estava com fome, foi ao encontro de Cidinha e perguntou se ainda tinha algo pra comer. Cidinha falou algo baixinho no ouvido e então Ela voltou a sentar ao lado da irmã.
Assistir TV, que legal, poder ver e ouvir, ver os comerciais, ver o que só se ouvia de longe, Ela não se cabia dentro do próprio raciocínio pois juntar tanta situação tanta emoção vivida em um único dia era muito para Ela.


AMANHANCER EM UM NOVO DIA
Ela durmiu ao lado da irmã em uma cama de casal, era assim, quando eram irmãs durmiam em única cama ou quando se era muito pequena as mais velhas durmiam com as pequeninas.
Que espaço, sem ter que durmir sem se mecher pois durmia com as duas irmãs numa cama de solteiro na casa do tio Chico.
Pela manhã todas a mesa menos as mais velhas pois essas tinham a função de sentar as pequenas, separar as mamadeiras das pequeninas auxiliar Dna. Nildete. Ás sete da manhã todas acordadas e a mesa, era rotina de segunda a segunda. orando antes do café, almoço e jantar, ja era hábito na vida Dela, e com o passar dos dias, Ela dava escapadas e ia até o portão, ver se a mãe estava chegando, ficava por horas, ia várias vezes, quando um dia foi pega por dna. Nildete.
Quase caiu dura, mas Dna. Nildete, sabia que isso era uma fase e ia passar, segurando pela mão levou-a ao encontro da demais meninas, orientou Cidinha e saiu.
Foi avisada que na próxima semana Ela iria frequentar a escola com as demais e não poderia mais ir até o portão sozinha, pois isso iria fazer ser castigada. Para as meninas ais rebeldes o castigo era ficar em pé na parede da sala de TV de costas não podiam assistir.
Passou então quando todas iam durmir, Ela cobria a cabeça com o cobertor e chorava, pedindo pela mãe. Vivia para isso, imaginava, chegava ver em outras pessoas a imagem da mãe.
Chegou o dia de ir para a escola, recebeu uniforme, material escolar e caminhando com as demais foi Ela para mais uma emoção, pois a cada dia Ela vivia algo que jamais esqueceria, até os dias de hoje.
Nada de diferênte, na volta da escola tomava seu lanche, cuidava da irmã que já nem ligava para ela, e assim foram passando os dias, quando de repente ouvia-se as outras comentarem entre elas:
*O que vc fez para sua mãe, ela vai vir na visita.
Ela começou entrar em desespero, era visita? a mãe dela ia vir? precisa procurar a roupa que veio, avisar a irmã, entrou em pânico, foi até o armário onde deixou seus pertences, mas eles ja não estavam lá. Teve uma crise de choro ao ponto de ser levada ao médico.
Passam-se os dias da semana e chega domingo. As visitas eram acontecidas no último domingo de cada mês. Depois que aconteceu a primeira visita, a segunda visita, Ela ja não chorava pedidndo para a mãe leva-la, simplesmente quando a mãe ia embora Ela caminhava para o dormitório e de tanto chorar dormia, nem via quando a irmã deitava-se ao seu lado.
La a convivência foi muito boa, digamos que aprendeu a ter carinho de meninas que como ela sofria por estar longe dos parentes, aprendeu que o que é dos outros é dos outros, aprendeu a duras lágrimas que o dia seguinte sempre nos proporciona esperança que tudo pode dar certo se fizermos por onde merecer.

PRIMEIRA SESSÃO


Dna. Nildete chamou as meninas mais velhas e deu orientação, esta pelo qual seguida a risca, encaminhou as meninas maiores para fora da sala de TV, estavam todas de uniformes, uniformes que só se usavam no domingo. Cidinha veio buscar Ela e levou-a para fora do corredor do dormitório. Ela foi para uma sessão no Centro Espírita, sentaram-na num banquinho e alguém veio e colocou as mãos na cabeça dela e orando o Pai Nosso dizia coisas também, respirava-se fundo neste local, pessoas falavam baixinho e por um instante a pessoa que colocou as mãos na cabeça dela se afastou, alguém a levou até Cidinha que a trouxe de volta para a sala de TV.

Ela foi sentindo com o passar dos dias que ali não era um lugar ruim, começou a comparar com as cenas de uma novela que passava na época chamada A VIAGEM, nessa novela tinha um local que chamava-se PARAÍSO, onde as pessoas ajudavam umas as outras e isso a marcou para sempre. Fazendo amizades que até hoje ainda tem dentro do coração Ela reencontrou forças para superar a ausência da mãe e nos dias de hoje a decepção e ausência também de pessoas queridas.












































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